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O olhar de quem acompanha de perto o mundo da F-1

Perfil Tatiana Cunha é repórter e acompanha todas as etapas da F-1

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O mesmo roteiro, agora nos EUA

Por tatiana
31/10/14 21:30
Rosberg, que ficou três milésimos atrás de Hamilton no segundo treino em Austin (Divulgação)

Rosberg, que ficou três milésimos atrás de Hamilton no segundo treino em Austin (Divulgação)

Pela enésima sexta-feira neste ano, o roteiro foi o mesmo: Mercedes na frente de manhã e Mercedes na frente à tarde. E, amanhã, no treino que define o grid do GP dos EUA, a não ser que algo de muito estranho aconteça, Hamilton e Rosberg vão brigar pela pole desta 17ª etapa do Mundial de F-1.

De manhã, a diferença de Hamilton para o companheiro foi de quase três décimos. À tarde, porém, foi de insignificantes três milésimos de segundo. Ou seja, qualquer um dos dois pode largar na frente no domingo.

A diversão mesmo vai ser a disputa pela segunda fila. A McLaren pareceu forte no primeiro treino, Ferrari e Red Bull, no segundo. A Williams, que colocou Massa em quinto na sessão vespertina também tem boas chances. Como sempre fazem às sextas, preferiram preparar o carro para a corrida e não se focar principalmente na classificação.

A boa notícia do dia foi a boa participação de Nasr no treino da manhã. Sem guiar um F-1 desde Barcelona, em maio, ele rapidamente fez bons tempos, mesmo sem conhecer o Circuito das Américas. No total, foram 19 giros, o melhor deles suficiente para lhe dar o oitavo tempo da sessão _ficou à frente inclusive de Massa, que foi o 11º (de tarde ele anotou a quinta melhor volta).

Apesar de feliz com o trabalho, Nasr estava bastante frustrado pro só ter podido completar poucas voltas. Este, mais um problema da F-1 atual. Além dos poucos testes fora de temporada que são liberados, o que ajuda os novatos, as regras acabam fazendo com que os times optem por poupar equipamento a colocar seus pilotos para adquirir milhagem. Tudo errado.

Assim como outra regra que está sendo aplicada neste final de semana, a que fará Vettel largar dos boxes no domingo. Como a Red Bull teve de trocar sua unidade de potência (será a sexta), ele sairá dos boxes mesmo se cravar a pole amanhã. Ou seja, a chance de ele nem participar da classificação existe, pois 1) não vai fazer diferença o tempo que ele fizer e 2) ele pode aproveitar para poupar o equipamento. Aí mais uma vez surge a discussão dos rumos que a F-1 tem tomado nos últimos anos.

Vencedor do ano passado e atual tetracampeão mundial, Vettel pode assistir à classificação dos boxes. Uma pena para os torcedores que pagam para ver a categoria. Mas é apenas mais um reflexo da F-1 suicida que estamos acompanhando nos últimos tempos.

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F-1 suicida

Por tatiana
27/10/14 12:09
Max Chilton, da Marussia, que não vai correr nos EUA (Divulgação)

Max Chilton, da Marussia, que não vai correr nos EUA (Divulgação)

Na semana passada foi a Caterham, agora foi a vez de a Marussia ser colocada sob administração judicial e anunciar que, assim como a concorrente, não vai disputar o GP dos EUA, no domingo.

A gente pode se perguntar se a presença das nanicas no grid do Texas vai fazer alguma diferença ou não. O primeiro impulso é dizer, não, eles vão chegar em último e não vão acrescentar nada na corrida. Possivelmente isso é verdade. Mas o fato de duas das 11 equipes da categoria terem chegado a este ponto é não só uma vergonha para o esporte como mostra como ele está sendo mal conduzido. E, aos poucos, se destruindo.

Não é de hoje que as equipes pequenas reclamam dos altos custos da F-1. E não é de hoje que Ecclestone e o pessoal que manda no esporte dá de ombros para isso.

O inglês nunca escondeu seu desejo de ver as equipes grandes com três carros no grid e as nanicas longe, bem longe. Nunca estivemos tão perto disso acontecer, apesar de os times ainda não estarem convencidos da ideia e, muito menos, da viabilidade dela.

Imagine o trabalho de logística que teria de ser feito para mudar de dois para três carros o que uma equipe leva para um final de semana de corrida? Das coisas mais óbvias, como o aumento no número de funcionários, à quantidade de caminhões que o time precisaria levar às corridas passando pela distribuição dos boxes no circuitos, para citar alguns exemplos.

Isso para não mencionar o fato de que o Pacto de Concordia é confuso no que diz respeito a como isso funcionaria (os três carros marcariam pontos? como seria computada a pontuação para os Mundiais? a pintura dos três seria a mesma? etc, etc).

A verdade é que a F-1 precisa dos times pequenos. Eles fazem parte do DNA da categoria. É deles que os times grandes aparecem. Veja o exemplo da Red Bull… Ela começou como Stewart, depois virou a Jaguar e se transformou no que conhecemos hoje como Red Bull. O mesmo se aplica à Mercedes. De Tyrrell virou BAR, para depois se transformar em Honda, Brawn GP e, finalmente  Mercedes.

Dizimar os times pequenos é matar a categoria pouco a pouco.

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Tarde demais para Hulkenberg?

Por tatiana
23/10/14 12:05
Hulkenberg, que renovou com a Force India por mais um ano (Divulgação)

Hulkenberg, que renovou com a Force India por mais um ano (Divulgação)

Aos poucos, a cara do grid da F-1 no ano que vem vai se desenhando. Das 11 equipes (bem, isso se a Caterham sobreviver…), só três já tem suas duplas anunciadas para 2015: Mercedes (Rosberg e Hamilton), Red Bull (Ricciardo e Kvyat) e Williams (Massa e Bottas).

Das outras, a Toro Rosso já oficializou o teen Verstappen e, nesta semana, foi a vez de a Force India divulgar a renovação do contrato com Hulkenberg.

Na semana passada, na Rússia, estava conversando com um amigo que também trabalha na F-1 justamente sobre o alemão. E, para ele, Hulkenberg não é tão bom quanto todos nós imaginávamos há alguns anos.

Não estou tão convencida disso, mas sou obrigada a concordar que o tempo está passando e Hulkenberg está deixando o bonde passar. Não que seja culpa dele, mas vamos aos fatos.

Ele estreou na F-1 em 2010, como companheiro de Barrichello na Williams. Ao lado do brasileiro veterano, começou o ano atrás, o que era normal, mas da metade da temporada em diante começou a dar trabalho e, justamente em Interlagos, ofuscou Barrichello de maneira assustadora ao cravar a pole para o GP Brasil daquele ano. Surgia ali uma estrela em potencial na F-1.

Mas, por conta das dificuldades financeiras da Williams, o alemão acabou perdendo a vaga de titular no ano seguinte para Maldonado (todo mundo sabe os motivo$). Teve que se contentar com uma vaga de reserva na Force India em 2011, que virou uma de titular no ano seguinte. Depois de uma boa temporada e aos 25 anos, parecia que era a hora de ir para um time grande. No paddock diziam que Mercedes e Ferrari tinham interesse, mas Hulkenberg acabou na Sauber em 2013.

Com um carro decente nas mãos, o alemão conseguiu emendar uma série de bons resultados no fim da temporada e parecia encaminhado para ficar com a vaga de Massa na Ferrari. Mas aí veio Raikkonen. E a Lotus, que no ano passado estava com um bom carro, surgiu como opção. Mas aí veio Maldonado (de novo). E Hulkenberg voltou para a Force India.

Neste ano, apesar de estar à frente de Perez no campeonato (76 pontos contra 47), viu o companheiro ir ao pódio uma vez e não tem conseguido dominar o mexicano como era de se esperar. Agora, com contrato renovado por mais uma temporada, disse que está com um bom pressentimento para 2015.

Mas, verdade seja dita, esta é sua última chance de tentar cavar um lugar numa equipe de ponta em 2016, quando já terá 29 anos. Com Ricciardos, Kvyats e Verstappens vindo aí, o alemão está ficando para trás. E corre o risco de ser apenas mais uma promessa que não vingou na F-1.

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F-1 na Rússia

Por tatiana
15/10/14 16:29
A linha de chegada em Sochi, meu 29º circuito

A linha de chegada em Sochi, meu 29º circuito de F-1

Mais uma vez me desculpo pelo timming deste post, mas como disse no começo do final de semana em Sochi, meu computador morreu e usei três diferentes nos últimos dias, nenhum deles em português, e foi complicado postar antes.

Um destes computadores, aliás, o que me acompanhou (ou salvou) durante a maior parte do final de semana na Rússia foi um que a organização me emprestou. Me deram o bichinho na mão e me pediram para devolver no domingo à noite. Não foi só por isso, mas também por isso, que fiquei realmente impressionada com a organização da corrida em Sochi.

Chegar a um circuito novo é sempre uma experiência bacana e dá um friozinho na barriga, mesmo para quem faz isso há tanto tempo _este foi o 29º circuito de F-1 que conheci. Fui para a pista já na quarta-feira para ver o que nos esperava pelo resto do final de semana.

E me surpreendi. As instalações tanto para a imprensa quanto para as equipes eram de primeira, os voluntários eram prestativos e realmente sabiam o que estavam fazendo, havia placas em todos os lugares. A pista era muito bonita e proporcionou belas fotos e imagens na TV. Os organizadores se desdobraram para facilitar a vida de quem estava trabalhando e fizeram o possível para nos ajudar.

O paddock, apesar de alguns terem reclamado que era muito apertado, era de bom tamanho. Aconchegante, eu diria. Ninguém precisa de um paddock do tamanho do de Xangai, em que é preciso dez minutos para ir da Red Bull à Marussia (isso se você não se perder no meio do caminho…).

Apesar de o clima durante todo o fim de semana não ter sido dos melhores por conta do acidente com Bianchi e pelo fato de meio paddock ter ficado doente no meio da logística desta dobradinha maluca (eu inclusive), o GP da Rússia, como evento, foi um sucesso. A torcida encheu as arquibancadas, os fãs se mostraram apaixonados pela F-1 e a acolhida a todos nós foi surpreendente.

Infelizmente a corrida não foi lá essas coisas, graças ao erro de Rosberg ainda na primeira curva, o que significou que Hamilton não teve concorrência.

A única coisa que deixou a desejar foi o entorno do Sochi Autodrom. Construído em Adler, no parque olímpico que recebeu os Jogos de Inverno em fevereiro, parecia ter sido instalado numa cidade fantasma. As ruas largas, os quarteirões gigantes e os restaurantes, bares e hotéis fechados davam esta impressão. Comer foi uma tarefa de paciência. Pedidos errados, uma a duas horas de espera e altos preços foram comuns durante todo fim de semana. Faltou um pouco de atmosfera do lado de fora do circuito.

Seria querer demais? Talvez, mas é justamente isso o que em muitos casos faz a experiência da F-1 ser tão bacana para quem vai a um GP. Basta ver quais são as corridas mais queridas do calendário: São Paulo, Texas, Monza, Silverstone.

Aqui mais algumas fotos que fiz durante o final de semana 😉

A homenagem a Bianchi

A homenagem a Bianchi

Matryoshkas na entrada do paddock

Matryoshkas na entrada do paddock

As grid girls russas

As grid girls russas

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Mercedes, título merecido

Por tatiana
12/10/14 12:12
O momento que decidiu a corrida em Sochi  (Divulgação)

O momento que decidiu a corrida em Sochi (Divulgação)

Foi com mais uma dobradinha tranquila que a Mercedes viveu um momento histórico e conquistou seu primeiro Mundial de Construtores, na também histórica primeira corrida da F-1 na Rússia.
Hamilton fez uma corrida cerebral e, mais uma vez mostrou que amadureceu muito nos últimos anos. Contou, claro, com o erro de Rosberg na primeira curva (ele reconheceu há pouco nas entrevistas que foi com muita sede ao pote depois de assumir a liderança na largada e acabou freando forte demais e tarde demais).
Com o companheiro fora da jogada, ficou fácil para o inglês vencer pela nona vez nesta temporada e chegar a 31 vitórias na carreira, empatando com Mansell como quinto piloto a mais ter vencido na F-1 _com mais um triunfo ele se iguala a Alonso. Abriu 17 pontos de Rosberg na classificação e, para mim, só se tiver muito azar nas próximas três corridas para perder este título.
Rosberg também fez uma bela corrida depois de seu erro. Caiu para penúltimo e foi, aos poucos, se recuperando, até dar o bote em Bottas e assumir o segundo posto. Ok, com o carro que ele tinha nas mãos ele tinha obrigação de fazer isso, mas ainda assim foi uma bela corrida.
Bottas foi mais uma vez o melhor do resto e já é o quarto colocado no Mundial, na frente de gente como Vettel e Alonso.
Massa, que largou em 18º depois do problema na bomba de combustível de seu carro no sábado, não deu sorte e chegou apenas em 11º. Ele e a Williams até tentaram uma estratégia diferente para escapar do trânsito, mas não conseguiram fazer ela funcionar depois que ele ficou preso atrás de Perez. Uma pena, porque seu carro estava bom ele poderia ter feito uma boa corrida se tivesse largado mais a frente.
Quanto ao evento, tirando o clima pesado por conta do acidente com Bianchi, nota 10. Os russos estão de parabéns: instalações de primeira, voluntários prestativos e algo que não estamos mais acostumados a ver na F-1 ultimamente, casa cheia.
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Sobre Bianchi

Por tatiana
10/10/14 09:24
Bianchi durante treino em Suzuka (Divulgação)

Bianchi durante treino em Suzuka (Divulgação)

Começo este post pedindo desculpas por não ter postado nada desde o final de semana, mas depois de desligar meu computador em Suzuka, no último domingo, às 4h, ele nunca mais ligou… Estou com um emprestado aqui e contando com a colaboração do pessoal em São Paulo para acentuar meus textos.

A verdade e que a semana não tem sido fácil. Esqueça as conexões bizarras que todos tiveram que fazer para chegar de Suzuka a Sochi, as dificuldades para achar um restaurante perto do circuito ou para comprar um simples chip telefônico. Em oito anos cobrindo de perto o Mundial de F-1, nunca senti um clima tão triste no paddock como neste fim de semana. O motivo, obviamente, o estado de saúde de Bianchi.

Está escrito na nossa credencial. Está escrito no ingresso de quem vai nas arquibancadas. Mas a gente esquece. Sim, automobilismo é perigoso. Há riscos envolvidos. E muitos riscos.

O fato de não vermos um acidente fatal na F-1 desde o fatídico 1º de maio em Imola não é sorte. A categoria investiu pesado na segurança dos pilotos desde então e o trabalho deu resultados. Basta lembrar da batida de Kubica em Montreal em 2007 e como seu carro ficou para perceber isso.

No caso de Bianchi, a meu ver, o que aconteceu foi que tudo que podia dar errado deu naquele dia. O fato de ele ter escapado da pista no mesmo local que Sutil havia escapado. O ângulo que seu carro atingiu o guindaste. A pista escorregadia. Enfim, acho que seria fácil agora tentar dizer que a corrida deveria ter começado mais cedo por conta do tufão, que o safety car deveria ter entrado antes na pista, que isso, que aquilo. Mas é preciso ter calma.

O que aconteceu precisa ser investigado com calma e mudanças podem até ser propostas. Mas a F-1 não pode reagir de impulso pelo que aconteceu no último domingo. A ideia de fechar os cockpits voltou a ser falada, mas não acho que seja o caminho. No caso de Bianchi, honestamente, não teria mudado muita coisa. Acidentes sempre deixam lições e elas tem de ser aprendidas. Mas reagir por impulso agora seria um erro.

feira, quando a Marussia fez seu tradicional sushi e Bianchi ajudou a preparar algumas peças. E lembrei que no domingo, pouco antes do desfile dos pilotos, esbarrei nele no paddock enquanto ia atrás de um expresso na Ferrari.

É triste pensar que estamos aqui na Rússia, agora, e ele está numa cama de hospital lutando por sua vida. Difícil se concentrar no esporte e voltar a pensar no campeonato.

Mas, por mais duro que seja, a vida continua. E como bem disse Vettel ontem, o fato de o esporte ter tantos riscos é o que faz eles se sentirem tão vivos.

#ForzaJules

 

Motorsport is dangerous, diz a credencial

Motorsport is dangerous, diz a credencial

 

 

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Vettel derruba a 1ª peça do dominó

Por tatiana
04/10/14 07:23
Vettel, que se despede da Red Bull no fim deste ano (Divulgação)

Vettel, que se despede da Red Bull no fim deste ano (Divulgação)

O tufão era esperado para domingo, mas ele chegou antes a Suzuka. Mas não foi exatamente o tufão que se previa e sim o anúncio de que Vettel deixará a Red Bull no fim do ano.

Enquanto todo mundo (eu inclusive) achava que Alonso seria o responsável por derrubar a primeira peça do dominó do mercado de pilotos da F-1 em 2015, o anúncio de Vettel pegou a todos de surpresa, inclusive o próprio Alonso.

O alemão avisou Horner no fim da noite de ontem que estava de saída e hoje de manhã, pouco mais de meia hora antes do último treino livre por aqui o chefe da Red Bull deu a notícia a Kvyat de que ele herdaria a vaga de Vettel em 2015.

Tudo muito rápido, como é normal na F-1. A bomba deixou Alonso praticamente sem escolha para o próximo ano. A Red Bull disse que nunca teve intenção em contar com os serviços do espanhol _tanto que não demorou para anunciar o russo. A Mercedes tem Hamilton e Rosberg sob contrato. E na Ferrari Alonso não tem mais clima para ficar. Mesmo porque com a chegada de Vettel (que ainda não é oficial, mas é questão de tempo) ele não tem mais espaço no time. Ou seja, ou é McLaren ou é um ano sabático até encontrar uma vaga em 2016.

Obviamente que a entrevista de Alonso foi uma muvuca e ele estava visivelmente mordido com o fato de Vettel ter pego ele de surpresa. Bastante arrogante, disse que sua decisão foi tomada há dois ou três meses e que ele é o “tomador de decisões” do mercado. Disse ainda que o que está acontecendo agora é apenas consequência das escolhas dele e que ele tem a sorte de poder escolher onde vai correr e quando. Não colou.

Vettel, por seu lado, disse que sua decisão não tinha sido fácil, mas que ele decidiu seguir seu coração. E que agora terá que arcar com as consequências (leia-se ir para um time que não vence uma corrida há mais de um ano e meio). Mas, nos bastidores, o que se diz é que as razões para sua saída são duas: primeiro ele sonha em trilhar o mesmo caminho de Schumacher na Ferrari e “reconstruir” a equipe. E segundo ele não se sente mais querido na Red Bull. A chegada de Ricciardo, a paparicação em cima de Verstappen, que foi inclusive chamado de “novo Senna” teriam sido demais para Vettel.

Acertada ou não, aplaudo a decisão dele de trocar o certo pelo incerto e sair de sua zona de conforto. Com quatro títulos no currículo e aos 27 anos ele tem mais é que buscar novos desafios. Acho que vai ser bom para ele e para a F-1 esta movimentação no mercado.

E, para não dizer que não falei da classificação (sim, parece que teve hoje por aqui 😉 ), a Mercedes fez o que se esperava: Rosberg na pole e Hamilton em segundo. A Williams foi muito bem e colocou Bottas em terceiro e Massa em quarto.

O brasileiro, assim como havia feito em Cingapura, há duas semanas, mostrou uma boa recuperação depois de uma sexta complicada na qual não conseguiu tirar o máximo de seu carro e fez uma boa classificação. Tem uma boa oportunidade de fazer uma boa corrida amanhã.

Maaaaaas, como neste final de semana tudo parece acontecer, o tal tufão deve chegar por aqui na hora do almoço. Ou seja, sabe-se lá em que condições esta corrida vai acontecer _se é que vai.

Bem, apertem os cintos, que amanhã tem mais!

 

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Mercedes, milhas à frente

Por tatiana
03/10/14 05:52
Hamilton, que fechou o dia com o melhor tempo em Suzuka (Divulgação)

Hamilton, que fechou o dia com o melhor tempo em Suzuka (Divulgação)

Que a Mercedes seria a mais competitiva neste final de semana, em Suzuka, todo mundo já sabia. Mas que a vantagem fosse ser tão grande como foi nesta sexta-feira por aqui pouca gente podia imaginar.

De manhã, Rosberg foi o primeiro, com Hamilton em segundo. O melhor do resto foi Alonso, que ficou mais de meio segundo atrás. Bottas veio logo depois, 1s1 atrás.

De tarde, os papeis se inverteram e Hamilton ficou com a melhor volta, seguido pelo companheiro de garagem. Bottas mais uma vez fez um bom treino e ficou com a terceira melhor volta. Mas a desvantagem para a marca de Hamilton foi de 1s2. Pois é…

Não só ele ficou surpreso como a própria dupla da Mercedes. Pelas declarações dos dois, a classificação vai ser mais um duelo entre eles. E, tanto Hamilton quanto Rosberg se disseram satisfeitos com a simulação de corrida.

Quem também estava animadinho depois dos treinos de hoje era Bottas, que afirmou que a Williams é a segunda equipe neste final de semana. Por enquanto só a dele, porém. Porque Massa sofreu o dia todo com a falta de aderência de seu carro e foi o 11º de manhã e apenas o 14º de tarde. Mas nem tudo está perdido ainda, basta lembrar como foi em Cingapura, há duas semanas, quando ele teve uma sexta-feira péssima e depois fez uma boa classificação.

A novidade do dia por aqui foi a estreia de Verstappen, que completou 22 voltas no treino da manhã. Ele fechou o treino em 12º e  ficou apenas quatro décimos atrás da marca estabelecida pelo titular da Toro Rosso, Kvyat. Agora detentor do recorde de mais jovem piloto a guiar um F-1, o holandês deixou uma boa primeira impressão. Ele agora treina de novo em Austin, em São Paulo e em Abu Dhabi.

Outro assunto do dia aqui no paddock foi mais uma vez Alonso. A saída dele da Ferrari cada vez mais parece uma questão de tempo. A grande pergunta que fica é quem irá ocupar a vaga dele no time.

O sonho da equipe seria Vettel, mas ele tem contrato com a Red Bull e só deve se livrar dele no fim de 2015. Bianchi pode ser um tapa-buraco. As próximas semanas devem ser agitadas nos bastidores.

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Alonso vai ou fica?

Por tatiana
01/10/14 07:30
Alonso, que chegou à Ferrari no início de 2010 (Divulgação)

Alonso, que chegou à Ferrari no início de 2010 (Divulgação)

Com o campeonato deste ano praticamente nas mãos da Mercedes e a definição entre Hamilton e Rosberg com pinta de acontecer só em Abu Dhabi, os olhos da F-1 estão todos em Alonso.

Reconhecidamente um dos melhores pilotos do grid da categoria, o espanhol é a chave da definição do mercado de pilotos para o ano que vem.

Insatisfeito na Ferrari após cinco anos e nenhum título (certamente quando ele assinou com o time imaginava que a esta altura teria ao menos mais dois em seu currículo), Alonso já foi sondado pela McLaren, que terá motores Honda no ano que vem. Há quem diga que até a a Red Bull andou conversando com o empresário do espanhol para o caso de uma possível saída de Vettel (o que acho pouco provável).

Foi aqui em Suzuka, há cinco anos, que a Ferrari anunciou a contratação de Alonso após um longo namoro. Dizem que a Honda poderia aproveitar o GP do Japão para fazer um eventual anúncio neste final de semana.

A verdade é que ninguém sabe onde Alonso estará no ano que vem (ok, talvez ele e seu estafe já tenham alguma definição), mas o que mais vamos ver enquanto não sair um anúncio oficial é gente chutando para cá e para lá.

Imagino que até ele esteja dividido. Conhecendo um pouco a peça, acredito que ele deva estar extremamente frustrado por sua mal-sucedida passagem pela Ferrari. Por mais que ele diga que lutou pelo título tantas vezes desde que chegou ao time, a verdade é que ele não levou nenhum. Para quem queria repetir o caminho trilhado por Schumacher, que tirou a equipe de um longo jejum, três vices é pouco, muito pouco. Junte-se a isso o fato de Mattiacci não ser fã de carteirinha do bicampeão.

Por outro lado, a chance de ser um “novo Senna” para a Honda, é tentadora para o espanhol. Mas, por enquanto, ninguém sabe ao certo como será a volta da fabricante japonesa à F-1.

Apesar de ter contrato com a Ferrari até 2016, na F-1 reza a lenda que contratos são feitos para serem rasgados. E tem quem diga também que ele estaria livre no fim deste ano por conta de uma cláusula de resultados da equipe.

É por tudo isso que, se eu tivesse que apostar, eu diria que ele fica mais um ano na Ferrari e espera para ver o que será da McLaren em 2015. Mas não me surpreenderia se às 23h de um dia destes, como aconteceu em 2009, chegar um comunicado dizendo o contrário.

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Um difícil adeus

Por tatiana
24/09/14 06:46
Carro da Force India pelas ruas de Cingapura (Divulgação)

Carro da Force India passa pelas ruas de Cingapura (Divulgação)

Acho que já falei isso antes, mas sempre que alguém fica sabendo que eu cubro o Mundial de F-1, a pergunta é sempre a mesma: “Qual sua corrida favorita?”

Até um tempo atrás, eu hesitava em responder e sempre ficava em cima do muro listando três, ou quatro, dependendo de como tinha sido a última edição. Mas hoje, depois de me despedir de Cingapura com dor no coração, respondo de bate-pronto que esta é minha corrida favorita.

Claro que sempre tem gente que reclama que o voo é longo (o meu, desta vez, foi recorde: 44 horas!!), que faz calor demais, que é difícil ficar no horário europeu enquanto o resto da cidade vive na hora local, que isso, que aquilo.

Mas é justamente isso tudo que faz de Cingapura uma etapa tão especial. Há algo de quase mágico pra mim em trabalhar no paddock durante a noite. De ir para o grid sob a luz do luar e com a Singapore Flyer (a roda-gigante) de cenário. O calor parece deixar as pessoas mais animadas e bem dispostas e dá um certo clima de férias à corrida.

Ficar no horário europeu realmente não é fácil, mas depois de sete vezes, já sei todos os truques. Chegou morto depois de 44 horas de voo, mas no horário europeu são 18h? Hora de trabalhar um pouco e depois encontrar os amigos para jantar num dos “sujinhos” que ficam abertos até a luz do dia raiar.

Ir para a cama só depois das 6h (locais). Janela no quarto? Não, obrigada. Acredite se quiser, mas em Cingapura é comum encontrar hotéis e apartamentos com quartos sem janela (nunca entendi o motivo). Máscara nos olhos se o quarto tiver janela e vamos embora que o final de semana é longo. Dormir durante o dia nunca é a mesma coisa. E confesso que colocar o despertador para as 16h sem culpa nenhuma me deixa sempre alegre.

Durante uma destas longas noites que vivemos em Cingapura, tive uma luz. O maluco daqui é que vivemos sempre o mesmo dia… vamos dormir quando já é de manhã, acordamos ainda no mesmo dia e vamos trabalhar. Saímos da pista para comer e, de repente, já é manhã de novo. E vamos dormir e acordamos, e o dia continua, e continua, e continua…

Como se não bastasse tudo isso, as corridas em Cingapura são sempre emocionantes e, vira e mexe, coisas estranhas acontecem. A do último domingo não foi diferente.

E é por tudo isso que não vejo a hora de voltar para cá no ano que vem, e no próximo, e no próximo…

As boas notícias são: a Coreia do Sul está namorando Ecclestone para fazer uma etapa nos mesmos moldes nas ruas de Seul (outra cidade que eu adorooooo e que tem potencial de ser tão divertida quanto Cingapura) e a próxima etapa é na minha querida Suzuka 🙂

 

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